domingo, 28 de fevereiro de 2010

História da Comunidade Judaica do Pará

Não podemos começar a contar um pouco da história do judaísmo no Pará sem deixarmos de nos reportar aos nossos primeiros Judeus - Os marroquinos.

Através da inquisição Espanhola, onde houveram morticínios e perseguições aos judeus, “sefaraditas”, que também se estendeu aos judeus de Portugal provocando o êxodo da Ibéria para o Marrocos, escolhido pela sua proximidade, mas do outro lado do Mediterrâneo.

Lá ficaram por aproximadamente 12 gerações. Falando português, espanhol e a “haquitia”-(dialeto misto do espanhol, hebraico, árabe e português), estabelecendo-se principalmente em Tetuã Fez, Tanger e Rabat dentre outras..

Muito embora lá tenham reconstruído suas comunidades, viviam isolados em guetos (Melahs). Com a certeza que sofriam novamente as discriminações sofridas no passado.

Assim resolveram atravessar o Oceano, na busca da nova terra. Começa-se aí como diz o prof. Samuel Benchimol o êxodo para a ERETZ AMAZÔNIA- A nova Terra da Promissão.

Aproximadamente no ano de 1810, chegavam os primeiros “forasteiros”, embrenhando-se pelos interiores do Pará e Amazonas (Breves, Cametá, Óbidos, Alenquer, Santarém, Itacoatiara e outras) iniciando o comércio entre as vilas existentes, diz-se que os judeus foram os primeiros regatões da região.

Ao começarem a prosperar começarem-se a organizar-se em comunidades, migrando para a capital Belém, construindo sinagogas, revitalizando o quadro cultural religiosos deixado no Marrocos .

A primeira “esnoga” foi fundada em 1824, em uma pequena casa no centro da cidade, próximo da moradia dos judeus da cidade, que originou a atual Sinagoga Essel Abraham., cujo prédio atual completou 50 anos.

Em 1829, foi fundada a Sinagoga Shaar Hashamain por Yehudá Israel, hoje grande símbolo arquitetônico de nossa cidade., sua construção data de + 1938, por Messod Benzecry que trouxe o arquiteto italiano Hugo Furini, com a planta de uma Sinagoga já existente na Europa, esse arquiteto não presenciou sua obra, pois foi chamado de volta à Itália por Mussolini, tendo sido a obra completada pelo engenheiro paraense Judah Levy, responsável também pela construção da Essel Abraham, e do primeiro prédio vertical de nossa cidade. As datas das fundações das sinagogas divergem entre alguns historiadores, só não divergem a importância que as mesmas tiveram como ponto congregador da Comunidade Judaica de Belém.

Ainda hoje muitos costumes marroquinos permanecem vivos nos lares judaicos, tendo sido somados por alguns askenazitas, da I e II Guerras Mundiais que aqui aportaram.

Além da diferentíssima e exótica culinária marroquina, acrescida de farta e variada culinária amazônida, com seus exóticos frutos e peixes (É de se ressaltar que os judeus pregavam aos habitantes da região que não deveriam ser comidos os peixes de pele e/ou couro e suínos; e ainda hoje em interiores observamos que os nativos da região não o comem sem nem mesmo saber o por quê ? respondendo que é costume antigo e não faz bem a saúde) temos festas que lembram as celebrações que os judeus marroquinos para cá trouxeram como a Mimona,, após o oitava dia de Pessach, o Talamon - para a proteção do nenê e da parturiente a quando da realização da Brit Milá., além de meldados e orações com cânticos próprios.

Em 20.06.1918 foi fundado o Centro Israelita do Pará, instituição manter da comunidade que tem por função dentre outras a representatividade da comunidade perante o poder público e sociedade em geral, é de observar o bom relacionamento da comunidade em nosso Estado.


Dentre as funções precípuas do CIP destacamos a assistência social, cultural e espiritual de nossa comunidade, possuindo uma Hebrá Kadishá com a participação de abnegados colaboradores que a exercem gratuitamente, prestando assistência dioturnamente aos enfermos e familiares que dela necessitam bem como nos momentos festivos, através de montagem dos Talamon, Chuoá, Brit Milá, etc...

Contamos hoje com 03 cemitérios na cidade de Belém, e outros tantos nos interiores, que em grande pesquisa, descobriremos nele os pioneiros do judaísmo no Pará, contando a data de inauguração do primeiros em 1842 a 1915.

Hoje conta nossa comunidade com aproximadamente 450 famílias, todas numerosas, com grande números de filhos, todas muito próximas entre si.

Já não existem grandes comerciantes, sendo a maioria da comunidade constituída de profissionais liberais.

Que entretanto mesmos com as diversas atribuições, mantém vivas as tradições de nossos antepassados, tornando uma Belém um local onde vivenciamos o judaísmo na mais bela maneira de sr, reunindo familiares e amigos em nosso lares para juntos celebramos os chaguim, tal qual o faziam há mais 200 anos em nosso Estado, Mejorado possamos assim continuar até a vinda do Messias.

Shalom
Iana Barcessat Pinto
Presidente CENTRO ISRAELITA DO PARÁ.

5 comentários:

  1. Excelente a matéria!! Sou paraense, católica, porém estudei num Colégio que era Sociedade Civil, qual seja o Colégio Moderno. Lá, cresci com amigos judeus. Foi muito bom, pois aprendi muito os costumes e a cultura judaíca.Hoje, tenho amigos judeus por todo mundo e é sempre muito gratificante tê-los por perto. Abraços, Rafaela.

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  2. boa noite sou da Família Fernandes Dias de Abaetetuba e estudando descobri que esta Família no passado ao chegar ao baixo Tocantins tinha uma história ligada ao Judaísmo queia saber mais sobre minhas raízes e minha História onde tem uma sinagoga em Belém ou como faço para saber mais sobre este histórico perdido no tempo um abraço meu wathzap é 991355983 meu facebook é waternaux@yahoo.com.br

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  3. Gostaria de saber se os judeus, pela região de onde são provenientes, podem ser considerados árabes? Encontrei um site no qual Israel está incluído entre os povos árabes.

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    1. Jania, se um judeus é originário de um país de cultura árabe , ele é árabe.

      Mas Israel não é um país árabe, ele é o único país judeu do mundo, mas possui cidadãos de cultura árabe e outras religiões que não a judaica.

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  4. Meus avós, por parte da minha mãe, são Martins Cohen. Pesquisando descobri que meu bisavô, Simão Cohen, veio com mais 3 irmãos de Tanger, no Marrocos. Eles vieram para o Norte do Brasil e espalharam descendentes por toda a região. Tenho a certidão da minha mãe, já falecida, que registra nome dos meus avós, André Martins Cohen e Margarida Martins Cohen (filhos de Simão Cohen). Minha pesquisa só vai até aqui. Eu gostaria muito de conhecer mais sobre raízes judaicas.

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